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Da Redação RVA
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 foi aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27/05/2026). Enquanto trabalhadores comemoram a conquista de mais dias de folga, o setor empresarial levanta sérios alertas sobre os custos da medida — que, segundo especialistas, podem ser repassados diretamente ao consumidor final em forma de preços mais altos.
A escala 6×1 é o modelo de trabalho no qual o empregado trabalha seis dias por semana e folga apenas um. Atualmente, a Constituição Federal permite jornadas de até 44 horas semanais, distribuídas em oito horas diárias — o que, na prática, viabiliza o trabalho de segunda a sábado com apenas um dia de descanso.
A PEC aprovada muda essa realidade: os trabalhadores terão direito a dois dias de descanso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. A jornada também será reduzida gradualmente, chegando a 40 horas semanais em até 14 meses após a promulgação da emenda.
A aprovação da PEC gerou reações intensas no setor empresarial. Entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação Nacional do Comércio (CNC) e a Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) publicaram estudos detalhados sobre os impactos econômicos da medida — e os números são preocupantes.

Segundo a FecomercioSP, o fim da escala 6×1 pode elevar o custo da hora do trabalho em até 37,5%. A entidade alerta que os efeitos seriam “devastadores para a economia”, gerando demissões, retração nas contratações, aumento nos preços ao consumidor e queda na competitividade.
A CNC estima que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13% no setor de comércio. Já a CNI projeta altas nos preços de 6,2%, em média, em toda a economia.
O economista da CNI, Marcelo Azevedo, explica como esse repasse acontece:
“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema.”
O setor de bares e restaurantes é um dos mais preocupados. Segundo a Abrasel, o impacto pode resultar em aumento de até 7% nos preços ao consumidor, já que será necessário contratar mais funcionários para manter o funcionamento aos fins de semana.
Na indústria, os setores mais intensivos em mão de obra seriam os mais atingidos. A Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais) alerta que “o aumento dos custos das empresas será repassado aos consumidores por meio da elevação dos preços”.
A FIESC detalhou os setores com maiores aumentos de preços previstos em Santa Catarina:
| Setor | Aumento Previsto nos Preços |
| Construção Civil | 4,26% |
| Produtos Alimentícios | 3,60% |
| Vestuário | 3,57% |
| Manutenção | 3,12% |
| Madeira | 2,74% |
| Metalurgia | 2,46% |
A CNI calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada de 44 para 40 horas. Na indústria, o PIB cairia 1,2%.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, alerta:
“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações.”
A FIESC projeta queda de 0,6% no PIB de Santa Catarina no curto prazo e redução de 1,16% no PIB da indústria catarinense.
O estudo da FGV/Ibre projeta cenários preocupantes:
O economista da FGV/Ibre, Samuel Pessôa, comparou a queda de 7,4% do PIB à recessão de 2014-2016, um dos piores períodos econômicos do país.
Os empresários não mediram palavras ao criticar a proposta. A CNI classificou a PEC como “inoportuna e eleitoreira”, enquanto a CNC publicou um “parecer técnico” alertando para “perda de empregos e produção”.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, tem criticado duramente a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho aprovada na Câmara. Ele defende um debate técnico no Senado e alerta para riscos à economia.
O senador Izalci Lucas (PL-DF) foi um dos mais contundentes:
“O que custa isso? Quem é que paga essa conta? Acho que essas pessoas não fazem conta, acham que o dinheiro só cai do céu. Eu fico imaginando as pequenas empresas, que têm um, dois funcionários.”
A FecomercioSP foi ainda mais direta, chamando a medida de “irresponsável” e motivada por interesses eleitorais.
A superintendente de Relações do Trabalho da CNI, Sylvia Lorena de Sousa, defendeu a negociação coletiva como alternativa:
“Representa uma perda da ordem de R$ 76 bilhões para a economia brasileira. Além disso, os custos com trabalho formal podem aumentar entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões, com efeitos disseminados em toda a economia. O caminho mais responsável é fortalecer o que já funciona no Brasil, a negociação coletiva.”
As micro e pequenas empresas — que representam a maior parte do setor produtivo brasileiro — são apontadas como as mais vulneráveis. Sem capacidade de absorver custos extras, muitas podem ser obrigadas a:
O representante da CNA (Confederação da Agricultura), Rodrigo Hugueney, destacou ainda um impacto direto no bolso do trabalhador rural:
“Se ele vai trabalhar um dia a menos, ele vai colher menos, ele vai receber menos.”
O governo federal e parlamentares da base defendem que o fim da escala 6×1 é uma conquista histórica. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, celebrou a aprovação:
“Quero cumprimentar a juventude brasileira e a mulher trabalhadora brasileira, que é quem mais gritou, pedindo socorro. ‘Nós estamos adoecendo, nós não estamos aguentando mais. Nós precisamos de pelo menos duas folgas na semana’.”
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), destacou que a transição foi pensada para atender tanto os trabalhadores quanto o setor produtivo:
“A transição se dará dentro de um ano. Nós faremos a redução de 44 horas para 40 em um ano. Isso atende um apelo da classe trabalhadora, também escuta o setor produtivo. Dá um tempo para que os setores possam se organizar.”
Economistas da Unicamp e do Ipea contestam as projeções alarmistas do setor empresarial. A economista Marilane Teixeira (Unicamp) argumenta:
“Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial. O impacto disso no custo total é tão marginal que é óbvio que não vai impactar no preço do produto.”
O economista do Ipea, Felipe Pateo, avalia que o impacto inflacionário será limitado:
“O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto.”
O relator da PEC, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou um cronograma de transição em duas etapas:
Importante: Não haverá redução de salário. A remuneração do trabalhador será mantida integralmente, mesmo com a diminuição da carga horária.
O texto da PEC prevê algumas regras específicas:
A PEC ainda precisa passar por mais etapas antes de se tornar lei:
A PEC do fim da escala 6×1 coloca em confronto dois valores fundamentais: a qualidade de vida do trabalhador e a viabilidade econômica das empresas. Para a comunidade cristã do Vale do Aço, a questão vai além dos números — envolve princípios bíblicos de dignidade humana, descanso e justiça social.
A Bíblia nos ensina que o trabalhador merece o seu salário (1 Timóteo 5:18) e que o descanso é um presente de Deus (Êxodo 20:9-10). Ao mesmo tempo, a Escritura também nos chama à sabedoria e à responsabilidade na gestão dos recursos (Provérbios 21:5).
O desafio para o Brasil é encontrar um equilíbrio que proteja o trabalhador sem comprometer a sobrevivência das empresas — especialmente as pequenas, que são a espinha dorsal da economia. A transição de um ano proposta pelo governo pode ser insuficiente para setores já fragilizados pela crise econômica.
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Jornalismo da Rádio Vale do Aço — A Rádio da Família Cristã!

Fernando Túlio
Jornalista DRT nº 024171/MG
Written by: Redação RVA
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