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Da Redação RVA
play_arrowMoradores em situação de rua quase dobram no Brasil desde 2022 Redação RVA
O número de pessoas em situação de rua cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) praticamente dobrou desde o início de 2023. Dados oficiais mostram que o total passou de 198,7 mil pessoas em dezembro de 2022 para 392,4 mil em junho de 2026, um aumento de 97,4%, equivalente a cerca de 193 mil novos registros.
Os números reacendem o debate sobre a eficácia das políticas públicas voltadas ao enfrentamento da pobreza extrema, da dependência química, do desemprego e da vulnerabilidade social.

Segundo o levantamento, desde janeiro de 2023 a média é de aproximadamente 4.600 novos registros mensais de pessoas vivendo nas ruas. O crescimento ocorreu em praticamente todas as regiões do país, com destaque para o Norte e o Nordeste, onde os aumentos proporcionais foram ainda mais elevados.
Em estados como Roraima, influenciado também pelo fluxo migratório vindo da Venezuela, o número de pessoas cadastradas em situação de rua multiplicou-se várias vezes nos últimos anos. Grandes centros urbanos, como São Paulo, continuam concentrando o maior contingente absoluto dessa população.
O governo federal afirma que o crescimento dos registros não significa necessariamente que todas essas pessoas passaram a viver nas ruas durante o período. Segundo a administração, parte da alta decorre da ampliação do cadastramento, da melhoria na identificação dessa população pelos municípios e da possível subnotificação existente em anos anteriores.
Além disso, o Executivo atribui o aumento a fatores como desemprego, fragilidade dos vínculos familiares, crises econômicas e eventos climáticos extremos, que agravam a vulnerabilidade social.
Em 2023, o governo lançou o Plano Nacional Ruas Visíveis, anunciando investimentos de aproximadamente R$ 982 milhões destinados à assistência, saúde, documentação, inclusão produtiva e proteção da população em situação de rua.
Mesmo com essas iniciativas, os dados do Cadastro Único continuam mostrando crescimento no número de pessoas cadastradas nessa condição até meados de 2026.
O aumento dos registros evidencia que o problema permanece entre os maiores desafios sociais do país. Especialistas ressaltam que combater a situação de rua exige ações integradas envolvendo geração de emprego, saúde mental, tratamento da dependência química, habitação, assistência social e fortalecimento dos vínculos familiares.
Também destacam que apenas ampliar o cadastramento não resolve o problema, sendo necessário transformar diagnósticos em políticas capazes de reduzir efetivamente o número de brasileiros vivendo nas ruas.
Enquanto o poder público busca respostas para essa realidade, organizações sociais, igrejas, entidades beneficentes e voluntários continuam desempenhando papel importante no acolhimento das pessoas em situação de vulnerabilidade.
Projetos de distribuição de alimentos, atendimento psicológico, reinserção no mercado de trabalho e recuperação da dignidade têm ajudado milhares de brasileiros, mostrando que o enfrentamento da pobreza depende tanto de políticas públicas eficientes quanto do compromisso da sociedade com a solidariedade.
O crescimento da população em situação de rua revela uma realidade preocupante que exige respostas concretas e permanentes. Independentemente das causas apontadas para o aumento dos registros, os dados reforçam a necessidade de políticas públicas capazes de reduzir a vulnerabilidade social e oferecer oportunidades reais de reconstrução de vida para milhares de brasileiros. O desafio permanece aberto e continuará exigindo acompanhamento da sociedade e dos gestores públicos.

Fernando Túlio
Jornalista DRT nº 024171/MG
Written by: Redação RVA
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