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PEC propõe o fim da jornada de trabalho de 44 horas e sujere 36 horas de trabalho semanais. Fernando Tulio
O debate sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa abolir a escala de trabalho 6×1 – em que trabalhadores cumprem seis dias seguidos e têm direito a apenas um dia de descanso – tem mobilizado as redes sociais e gerado polêmica no Congresso. A iniciativa, liderada pela deputada Érica Hilton (PSOL-SP), propõe uma jornada semanal de quatro dias, com expediente de oito horas diárias, totalizando 36 horas semanais. A proposta reacendeu a discussão sobre qualidade de vida, saúde e bem-estar dos trabalhadores brasileiros.

Apresentada em maio deste ano, a PEC de Erika Hilton estabelece uma jornada de trabalho de oito horas diárias por quatro dias, o que resulta em um total de 32 horas semanais. No entanto, o projeto menciona um limite de 36 horas semanais, o que gerou questionamentos sobre a diferença. Em resposta a essa discrepância, a deputada afirmou que o objetivo é promover flexibilidade no trabalho, além de alinhar o Brasil a tendências globais de redução de jornada sem redução salarial.
Atualmente, a legislação brasileira permite uma jornada máxima de oito horas diárias e 44 horas semanais. A escala 6×1, em vigor, é considerada exaustiva por muitos trabalhadores, que destacam que a prática afeta diretamente a qualidade de vida e as relações familiares. “Os trabalhadores têm direito ao tempo livre para se dedicarem a atividades pessoais, familiares e profissionais. A escala 6×1 é uma prática ultrapassada e precisa ser repensada”, defende a deputada Hilton.
Segundo Hilton, o projeto está alinhado com um movimento internacional que busca equilibrar a vida pessoal e profissional. Estudos recentes demonstram que modelos de trabalho reduzidos contribuem para uma maior produtividade, menor estresse e um ambiente corporativo mais saudável. Para a deputada, a proposta não apenas melhora a saúde e bem-estar dos trabalhadores, mas também oferece às empresas a possibilidade de inovação em práticas de gestão.
De acordo com a justificativa da PEC, uma jornada reduzida pode significar menos acidentes de trabalho, menos doenças relacionadas ao estresse e um ambiente mais colaborativo. “A redução de jornada de trabalho é uma luta histórica dos trabalhadores, e devemos avançar no Congresso para garantir que os direitos ao tempo livre sejam respeitados”, afirmou Hilton em seu perfil na rede social X (antigo Twitter).
Além do apoio de diversos parlamentares, a proposta ganhou a adesão do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT), fundado por Rick Azevedo, vereador eleito pelo PSOL no Rio de Janeiro. Azevedo defende o fim da jornada 6×1 e tem se tornado uma das vozes mais influentes nas redes sociais em prol da causa. “Nossa luta é para que todos os trabalhadores possam ter um tempo adequado para suas famílias, para o lazer e para o autodesenvolvimento. O Brasil merece uma modernização nesse aspecto”, declarou Azevedo.
O movimento, que reúne mais de 1,3 milhão de assinaturas em apoio à PEC, está organizando campanhas para pressionar os parlamentares e conscientizar a população sobre os benefícios de um modelo de trabalho mais flexível.
Para avançar na Câmara dos Deputados, a proposta precisa de 171 assinaturas para iniciar o processo de tramitação oficial. Erika Hilton declarou, em recente entrevista, que já possui mais de 100 assinaturas e que espera alcançar o número necessário até o final desta semana. Após o início da tramitação, a PEC deverá ser aprovada por três quintos dos parlamentares tanto na Câmara quanto no Senado, antes de seguir para sanção presidencial.
Caso aprovada, a PEC entrará em vigor em até 360 dias, um período considerado necessário para que as empresas possam se adequar à nova realidade de trabalho.
O projeto de Hilton vem provocando debates acalorados, especialmente entre políticos de esquerda e direita. Parlamentares como Reginaldo Lopes (PT-MG) e Guilherme Boulos (PSOL-SP) expressaram apoio à proposta, afirmando que a redução de jornada é essencial para o desenvolvimento de um “modelo de trabalho mais humanizado e produtivo” no Brasil. “Já passou da hora de o país adotar uma jornada de 4×3 ou 5×2, sem redução de salário”, defendeu Lopes em postagem nas redes sociais.
Por outro lado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), uma das figuras mais influentes entre os conservadores, se manifestou contra a PEC, o que gerou insatisfação entre seus eleitores. Nas redes sociais, seguidores expressaram frustração e cobraram uma postura mais favorável aos trabalhadores.
A PEC levanta questões complexas para a classe empresarial, que terá de equilibrar possíveis aumentos de custos com salários fixos e menos dias úteis. No entanto, especialistas em gestão de pessoas e economia apontam que a jornada reduzida pode resultar em maior produtividade e, ao mesmo tempo, em menos gastos com absenteísmo, tratamentos de saúde e acidentes laborais. Para o professor de Economia do Trabalho, Marcelo Simões, “a experiência de países que adotaram a semana de trabalho reduzida é promissora, especialmente em setores com alto desgaste físico e mental”.
Um dos pontos principais da PEC é assegurar que a jornada reduzida não implique em perdas salariais para o trabalhador. A proposta prevê que o valor do salário permaneça o mesmo, independentemente do número de dias trabalhados. Para a deputada Hilton, essa medida é fundamental para evitar que a flexibilização seja usada como ferramenta para precarizar o trabalho. “Nosso objetivo é proteger o trabalhador e garantir que ele tenha melhores condições sem perder o seu poder aquisitivo”, afirmou Hilton.
A PEC apresentada por Erika Hilton traz uma proposta de modernização nas relações de trabalho no Brasil, especialmente no contexto da jornada 6×1, que é amplamente criticada por trabalhadores e especialistas. A proposta continua ganhando apoio popular e se mantém como um dos assuntos mais comentados nas redes, especialmente entre aqueles que acreditam na necessidade de mais qualidade de vida para o trabalhador brasileiro.
Essa reforma tem o potencial de transformar a realidade de milhares de trabalhadores e alinhar o Brasil às práticas de outros países que já adotaram uma jornada mais flexível, sem diminuir os direitos e a remuneração dos empregados. A tramitação e aprovação da PEC são acompanhadas de perto, tanto pela sociedade quanto pelos congressistas, e promete continuar em destaque no cenário político e social.
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Written by: Fernando Tulio
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