-
play_arrow
PL 8889/17 libera taxação de streamings no Brasil Fernando Tulio
Aprovação da PL 8889/17 gera forte reação popular
Primeiramente, a aprovação do Projeto de Lei 8889/17, ocorrida nesta semana, provocou intensa repercussão nas redes sociais e no meio político. Conhecida por críticos como a chamada “PL da Globo”, a proposta prevê a taxação de plataformas de streaming, como Netflix, Prime Video, HBO Max e outras, com o argumento de fomentar a produção cultural nacional.
Entretanto, desde já, o texto tem sido alvo de duras críticas por parte de setores da sociedade que enxergam na medida um aumento indireto do custo de vida para o consumidor brasileiro.
Taxação deve impactar diretamente o bolso do consumidor

Em primeiro lugar, especialistas e críticos do projeto alertam que, na prática, o custo da nova tributação não será absorvido pelas empresas, mas repassado integralmente aos assinantes. Dessa forma, o resultado imediato tende a ser o aumento das mensalidades dos serviços de streaming, afetando milhões de brasileiros que utilizam essas plataformas como principal forma de entretenimento.
Assim, o que se apresenta como incentivo cultural, para muitos, representa mais um ônus financeiro em um cenário de já elevada carga tributária.
Incentivo à cultura ou aparelhamento estatal?
Além disso, outro ponto que tem gerado preocupação é o destino e o controle dos recursos arrecadados. Críticos classificam a proposta como uma espécie de “Rouanet do Streaming”, sugerindo que o modelo abre espaço para aparelhamento ideológico e controle de narrativa.
Nesse sentido, o receio é que o Estado passe a ter influência direta sobre o que pode ou não ser produzido, exibido ou financiado, interferindo na liberdade criativa. Para esses analistas, cultura se constrói com liberdade, e não por meio de mecanismos que, segundo eles, se aproximam de censura disfarçada de incentivo.
Contradições políticas e questionamentos internos
Outro aspecto que chamou atenção foi o comportamento de partidos durante a votação. Apesar do discurso público contrário à medida, o Partido Liberal (PL) votou majoritariamente a favor do projeto, decisão atribuída à orientação de sua liderança nacional.
Por outro lado, parlamentares do Partido Novo votaram contra a proposta, reforçando o discurso de que a taxação representa traição aos eleitores que defendem menos impostos e maior liberdade econômica. A movimentação gerou questionamentos sobre coerência política e alinhamento com as bases eleitorais.
Debate sobre cultura, economia e liberdade segue aberto
Por fim, a aprovação da PL 8889/17 amplia um debate que vai além da cultura e alcança temas sensíveis como liberdade de expressão, intervenção estatal e impacto econômico no cotidiano da população. Enquanto defensores veem a medida como necessária para fortalecer a produção audiovisual brasileira, críticos alertam para os riscos de encarecimento dos serviços e concentração de poder nas mãos do Estado.
Diante disso, a discussão segue viva na sociedade, que agora aguarda os próximos passos da regulamentação e seus efeitos práticos no mercado e na vida dos brasileiros.
