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Da Redação RVA – Fonte Instituto Iser
Levantamento com 15 mil entrevistados mostra resistência à presença de candidatos nos templos e revela que influência política também ocorre por meio das redes sociais
A maioria dos brasileiros prefere manter as discussões políticas fora dos espaços religiosos. É o que revela uma pesquisa realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest.
Segundo o levantamento, oito em cada dez brasileiros são contrários à discussão de política dentro de igrejas e outros espaços religiosos. A rejeição aparece de forma semelhante entre católicos, evangélicos e pessoas de outras religiões.
A pesquisa também mostra uma resistência ainda maior à presença de candidatos nos templos. Nove em cada dez entrevistados não querem que lideranças religiosas permitam a presença de candidatos em suas igrejas com finalidade eleitoral.
O levantamento faz parte da pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil”, realizada pelo Iser e executada pela Quaest. Foram entrevistadas presencialmente 15 mil pessoas com 16 anos ou mais, em 412 municípios de todas as regiões do país, incluindo as 27 capitais e o Distrito Federal. As entrevistas ocorreram entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026.

Apesar da resistência à presença da política nos templos, a pesquisa identificou que lideranças religiosas exerceram influência sobre parte dos eleitores na eleição presidencial de 2022.
Entre os entrevistados, 11% afirmaram ter recebido orientação de sua liderança religiosa para votar em Jair Bolsonaro (PL), enquanto 5% disseram ter sido orientados a votar em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os evangélicos, os índices foram maiores em determinados segmentos. Entre protestantes, como batistas e presbiterianos, 20% disseram ter recebido indicação para votar em Bolsonaro. Entre os pentecostais, grupo que inclui denominações como Assembleia de Deus, Igreja Quadrangular e Igreja Universal, o percentual chegou a 23%.
Os dados mostram, portanto, uma diferença entre a opinião dos fiéis sobre a presença explícita da política nos espaços de culto e a influência que algumas lideranças podem exercer sobre as escolhas eleitorais.
Para a antropóloga Lívia Reis, coordenadora da pesquisa, a influência política dentro do ambiente religioso não deve ser interpretada simplesmente como uma relação em que o pastor determina e o fiel obedece.
A pesquisadora destaca que as igrejas funcionam também como redes de confiança, nas quais informações, opiniões e interpretações sobre acontecimentos políticos podem circular entre os participantes.
Essa dinâmica pode ocorrer tanto presencialmente quanto por meio de grupos e comunidades digitais ligados à vida religiosa.
O levantamento identificou ainda a presença de conteúdos políticos em comunidades religiosas nas redes sociais.
Apenas cerca de um em cada cinco entrevistados participa de grupos ou comunidades religiosas em redes sociais. Entre aqueles que participam desses espaços, entretanto, a circulação de conteúdo político é significativa.
No Facebook, 48% dos participantes desses grupos afirmaram ver sempre ou frequentemente conteúdos políticos compartilhados por outros integrantes.
No WhatsApp, o percentual foi de 34%. A circulação de conteúdo político aparece com maior intensidade entre católicos praticantes, pentecostais e protestantes.
Os resultados ajudam a colocar em perspectiva o debate sobre a relação entre religião e política no Brasil.
Embora lideranças religiosas possam participar ativamente do debate público e alguns grupos tenham atuação política mais organizada, os números indicam que a maioria dos brasileiros não deseja transformar o espaço de culto em ambiente de campanha eleitoral.
A rejeição também não significa necessariamente que os fiéis sejam indiferentes aos assuntos políticos. A pesquisa mostra que religião, valores, questões sociais e escolhas eleitorais continuam relacionados para uma parcela da população, mas a maioria estabelece uma diferença entre discutir questões públicas e transformar o culto ou o templo em espaço de propaganda eleitoral.
A pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil procura analisar justamente essa relação mais ampla entre pertencimento religioso, valores, comportamento social e escolhas políticas.
O estudo aponta que não existe uma correspondência automática entre religião e posicionamento político. Segundo o Iser, a pesquisa foi elaborada para compreender não apenas a religião declarada pelos brasileiros, mas também como a experiência religiosa influencia valores, visões de mundo, práticas cotidianas e participação na vida pública.
Nesse cenário, os dados sobre a rejeição à política nos templos indicam que a influência religiosa sobre o eleitorado não pode ser explicada apenas pela presença de candidatos ou por discursos políticos durante os cultos. Redes de relacionamento, lideranças, grupos digitais e valores compartilhados também fazem parte dessa dinâmica.
A pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil foi coordenada pelo Iser e teve trabalho de campo realizado pela Quaest.
Foram entrevistadas 15 mil pessoas com 16 anos ou mais, presencialmente, em 412 municípios das cinco regiões brasileiras, incluindo as 27 capitais e o Distrito Federal.
O trabalho de campo ocorreu entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro de 2026. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de aproximadamente 0,8 ponto percentual, segundo o Iser.
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Fernando Túlio
Jornalista DRT nº 024171/MG
Written by: Redação RVA
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