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Descoberta de cientista brasileira pode mudar o tratamento de lesões na medula

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Da Redação RVA – Fonte Portal Terra

Uma descoberta “ao acaso” que pode revolucionar a neurociência

Antes de tudo, uma pesquisa liderada pela professora e doutora em biologia celular Tatiana Sampaio chamou atenção da comunidade científica por abrir uma nova possibilidade no tratamento de lesões na medula espinhal.

Segundo o relato da própria pesquisadora, a descoberta aconteceu de forma inesperada, durante observações em laboratório. De repente, ela percebeu algo que ninguém havia identificado: uma proteína havia se tornado “muito grande”, indicando que estava se unindo a outras e formando uma estrutura inédita.


O que é a polilaminina e por que ela é tão importante

Descoberta de cientista brasileira pode mudar o tratamento de lesões na medula
Tatiana Sampaio é professora e doutora em biologia celular

Em seguida, os cientistas identificaram que o fenômeno envolvia a laminina, uma proteína do corpo humano já conhecida, mas que nunca havia sido aplicada daquela forma.

Ou seja, ao invés de atuar sozinha — como já havia sido testado antes sem sucesso — a laminina passou a formar uma espécie de “malha” composta por várias unidades conectadas. Essa nova estrutura recebeu o nome de polilaminina.

Com isso, nasceu um caminho promissor para estimular a regeneração de neurônios.


O papel do axônio: o “fio” que liga cérebro e músculos

Para entender o impacto dessa descoberta, é preciso olhar para o axônio, a parte mais longa do neurônio.

Na prática, o axônio funciona como um fio condutor de energia. Portanto, quando ele se rompe, o cérebro deixa de conseguir enviar comandos aos músculos, causando perda de movimentos, especialmente em casos de lesão medular.

No entanto, existe um grande desafio: na vida adulta, esses axônios praticamente não se regeneram sozinhos.


A pista do embrião: a inspiração para reconstruir conexões

Por outro lado, durante a formação do corpo humano — ainda no período embrionário — os axônios conseguem crescer e formar conexões normalmente.

Isso acontece porque, no embrião, os neurônios crescem sobre uma “pista” biológica. E essa pista é justamente a laminina.

Assim, a ideia foi simples e poderosa: se o neurônio cresce no embrião usando laminina, por que não usar isso novamente para estimular crescimento em adultos?


Por que a laminina sozinha não funcionava

Entretanto, testes anteriores já haviam mostrado um problema: a laminina sozinha é pequena demais e, provavelmente, o organismo elimina rapidamente.

Logo, ela não se mantém no local tempo suficiente para servir como pista de crescimento.

Foi nesse ponto que Tatiana teve um estalo: e se fosse possível criar uma grande malha, resistente, capaz de permanecer e guiar o crescimento neuronal?


A polilaminina como “malha” e o avanço dos neurônios

A partir daí, a polilaminina passou a ser vista como uma estrutura ideal: uma união de várias lamininas formando uma pista mais estável.

Como resultado, os neurônios voltaram a avançar e a reconstruir conexões, algo considerado extremamente difícil em lesões neurológicas graves.


Testes clínicos: pacientes com lesão completa apresentaram evolução

Além disso, a pesquisa avançou para testes clínicos acadêmicos, com aprovação dos órgãos éticos.

De acordo com os dados apresentados, seis de oito pacientes com lesão completa mostraram evolução motora, um resultado que chamou atenção por representar melhora mesmo em casos considerados de difícil reversão.

Consequentemente, a descoberta entra no radar como uma das mais promissoras para o futuro do tratamento de paralisia e reabilitação neurológica.


“Destemida”: a pesquisadora que despreza o conceito do impossível

Por fim, Tatiana Sampaio se define como “destemida”.

Segundo ela, quando alguém diz que algo não pode ser feito, ela simplesmente não escuta. Para a cientista, existe um “desprezo pelo conceito do impossível”, o que reflete exatamente o espírito que move grandes avanços científicos.

Fernando Túlio 

Repórter DRT nº 024171/MG 

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Written by: Redação RVA

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